Estádio cheio muda o resultado? Os dados de público
Estádio lotado vira explicação para tudo: o time joga mais, o juiz aperta menos, o adversário some. Público é um dos poucos números que o torcedor tem antes do apito. O problema não é medir público, é separar o que ele causa do que ele apenas acompanha.
O que a torcida pode e o que não pode fazer
A explicação mais citada para o fator casa não é sobrenatural. Ela passa pela arbitragem, que decide lance duvidoso sob pressão, e pelo ritmo que o mandante impõe no começo. Some a rotina de dormir em casa e não pegar estrada.
O que a torcida não faz é fechar diferença de elenco. Favorito forte vence com estádio vazio e azarão perde com estádio cheio. Se o efeito existe, ele é pequeno perto da qualidade dos onze em campo.
A armadilha que derruba a maioria das contas
Público alto não aparece por acaso. Ele aparece quando o time grande joga, quando é clássico e quando a equipe vem ganhando. Correlacionar público com resultado sem tratar isso mede quem enche estádio, não o efeito de encher.
O conserto é comparar o clube com ele mesmo. Use taxa de ocupação em vez do número absoluto, olhe só os jogos em casa da mesma equipe e separe por força do adversário. Só aí a diferença entre casa cheia e casa vazia começa a significar algo.
A conta que dá para fazer em casa
O tamanho da amostra é o obstáculo real. Um clube tem 19 jogos como mandante no Brasileirão, e dividir isso em cheio e vazio deixa dez de um lado e nove do outro. Uma diferença de 0,3 ponto por jogo aí vale três pontos na temporada, dentro do que o acaso produz sozinho.
Por isso público serve como critério de desempate, não como motivo de aposta. Guarde a leitura para o jogo em que os outros sinais empatam e o estádio muda de patamar. As leituras por rodada ficam em palpites do Brasileirão, e as casas mais cheias costumam ser as de clássicos.