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Jogos de quarta rendem menos gols? Como montar o teste

Quarta-feira tem fama de jogo travado, time misto e placar magro. A frase circula em muito palpite, mas esta redação não contou um gol sequer para conferi-la. O que dá para fazer aqui é montar o teste que responderia à pergunta, com as contas à vista. Nenhum resultado aparece abaixo, porque nenhum foi apurado.

Por que a fama existe

A rodada do meio de semana pega o time saindo de um jogo de domingo e entrando em outro no sábado seguinte. No Brasil isso se soma à Copa do Brasil e aos torneios continentais, que ocupam terça, quarta e quinta. Técnico com elenco curto poupa titular, e time poupado costuma jogar mais protegido do que ousado.

Há também o que acontece fora de campo. Público menor em noite de quarta é hipótese razoável, e viagem longa no meio da semana consome o dia anterior ao jogo. Cada fator desses pode empurrar o placar para baixo, para cima ou para lugar nenhum. Por isso a pergunta merece um teste, e não uma opinião firme.

O recorte que vem antes do primeiro número

Comece separando as competições. Pontos corridos e mata-mata não são o mesmo jogo: o segundo tem ida e volta, gestão de vantagem e prorrogação. Também é preciso definir o que conta como quarta, pela data local do apito inicial, sem puxar terça e quinta para dentro. A unidade é a partida, com os gols dos dois lados somados.

Depois vem o grupo de comparação, onde a conversa de bar escorrega. A média das quartas precisa ser comparada com a das mesmas equipes, nas mesmas temporadas, fora do meio de semana. Clássico, rodada final e jogo de time já rebaixado entram nos dois lados ou em nenhum, nunca só de um. Escrever o critério depois de ver o número é escolher o alvo depois do tiro.

A conta que diz se a amostra chega

A Série A tem vinte clubes, trinta e oito rodadas e dez jogos por rodada: 380 partidas por temporada e 1.900 em cinco. Suponha que 300 caiam em quarta-feira e as outras 1.600 em outros dias. Suponha ainda um desvio padrão de 1,6 gol por partida, valor de trabalho para a conta e não uma medida desta redação. O erro padrão da média das quartas fica em 1,6 dividido pela raiz de 300, ou seja, 0,092 gol.

O que interessa, porém, é a diferença entre os dois grupos. O erro dela é 1,6 vezes a raiz de um sobre 300 mais um sobre 1.600, perto de 0,10 gol, e o dobro disso dá 0,20. Se a fama da quarta valer 0,08 gol por jogo, cinco temporadas não enxergam esse efeito e o teste termina em empate técnico. Para refazer a conta bastam esses três parâmetros e uma calculadora.

Enquanto o teste não existe

Sem ele a frase segue como folclore, e folclore é bom de conversa e ruim de decisão. O que dá para checar antes de cada jogo é outra coisa: escalação confirmada, dias de descanso de cada lado e mata-mata na semana seguinte. Isso diz mais sobre uma quarta específica do que qualquer média histórica diria, e muda a cada rodada.

A aritmética da aposta não muda com o dia da semana: uma odd de 2,00 embute 50 por cento de probabilidade implícita. Nenhuma linha de gols de casa nenhuma foi medida aqui, e nenhuma tendência de meio de semana foi confirmada. Os jogos da rodada ficam em Brasileirão, o meio de semana costuma ser território da Copa do Brasil, e os critérios estão em metodologia.

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